Gerenciamento de risco, uma saída para as perdas do
varejo
Comitê discute roubo de cargas no país e reúne
representantes da indústria, do varejo e do segmento de serviços
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Alexandre Pedreira em workshop com representantes da
indústria e do varejo
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O roubo de cargas rodoviárias que circulam no país
representa um prejuízo anual bastante elevado. Para de ter uma idéia desse
montante, só no Estado de São Paulo as perdas financeiras registradas em
2002 foram de R$ 205 milhões, segundo levantamento da Associação Nacional de
Transporte de Cargas. Mais do que uma preocupação dos órgãos de segurança
pública nacional, a questão tem tirado o sono de muita gente.
Alexandre Pedreira, gerente de operações da Plantech,
comenta que no Brasil o roubo de cargas é muito freqüente porque há uma
série de condições favoráveis, entre elas a atratividade dos produtos
transportados, uma frota bastante envelhecida (em média 15 anos de uso),
órgãos policiais ineficazes e grande impunidade ao crime organizado. O
gerente ressalta ainda que o roubo ocorre sempre próximo aos mercados
compradores por que as cargas são encomendadas. Isso explica o fato de 43,6%
dos casos nacionais acontecerem em um raio de 150 km da capital paulista.
A saída para minimizar esses índices, segundo ele, são
ações conjuntas entre os agentes dessa cadeia. “Sabemos que o roubo existe.
É preciso que as empresas se protejam através de procedimentos preventivos,
como fizeram os bancos. E isso pode ser feito através de um planejamento que
permita avaliar o passado, pensar o presente e prever o futuro. Um plano de
gerenciamento de risco”, diz.
Rastreamento por satélite, treinamento constante de todos
os envolvidos, investigação dos sinistros ocorridos (quando, onde e como
ocorreu o roubo), monitoramento dos depósitos e centros de distribuição
são algumas das ações possíveis. Ações que devem ser adotadas de acordo com
a realidade de cada empresa.
O especialista reuniu-se recentemente com um grupo de executivos e
acadêmicos para discutir o assunto, durante workshop promovido pelo Programa
de Administração de Varejo (PROVAR-FIA), realizado em São Paulo. Na ocasião
Marcelo Ferez Pillon, gerente de serviços logísticos da Multibras, lembrou
que há dois anos sua empresa investe em gerenciamento de risco e nesse
período já conseguiu resultados bastante satisfatórios.
“Reduzimos em 90% as perdas contabilizadas antes da
implantação do gerenciamento de risco. Eram perdas calculadas em torno de R$
7 milhões por ano”. O projeto é resultado de algumas parceiras,
reorganização da logística e revisão das apólices de seguro. Hoje, conta
Pillon, todos os sistemas estão integrados. ”De inicio reagíamos ao que era
feito, hoje somos pró-ativos, não esperamos o roubo acontecer”.
Os ganhos obtidos com um plano de gerenciamento de risco
podem resultar na diminuição das perdas diretas e indiretas, aumento das
vantagens competitivas e dos índices de produtividade, sustentação ao
crescimento de vendas, maior controle logístico das operações e preservação
de mercado e da imagem institucional da empresa. “Baseado na análise do
risco é possível prever qual será a perda daqui a um ano, a probabilidade de
isso acontecer e quanto deve ser aplicado no gerenciamento deste risco”,
explica Pedreira.
Caso isso não possa ser previsto, perde a indústria, as
seguradoras, os varejistas e também o consumidor, que no final das contas,
costuma arcar com parte dos prejuízos. “As perdas normalmente são repassadas
para o custo fixo das empresas. E a tendência é que o consumidor acabe
pagando está conta”, conclui.
A discussão promovida pelo PROVAR deve ocorrer
periodicamente segundo Cecília Leote, coordenadora técnica responsável pelo
Comitê que acaba de ser criado para medir as perdas tanto na indústria
quanto no varejo. “Nos EUA e na Europa já existem comitês como esse e os
resultados além de positivos são mais rápidos do que se fossem tratados de
forma isolada”, diz.
Fonte: PROVAR (http://www.fia.com.br/admpauta/151b/gerenciamento_de_risco.htm)
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