Perdas preocupam varejistas de vários segmentos
Inúmeras possibilidades de perda de lucro e produtividade
alertam o varejo. Encontro, principal do país, reúne especialistas no assunto
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Halm Dror: especialista em inteligência
estratégica
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Tapar os ralos por onde escoam recursos das empresas
varejistas, com perdas que fogem ao controle de seus administradores. Este é um
dos grandes desafios enfrentados hoje pelo setor de varejo, e os dados mostram
que as perdas são preocupantes. De acordo com a “2ª Pesquisa Nacional de
Prevenção de Perdas no Brasil”, realizada pelo PROVAR, as perdas nos
supermercados chegam a 1,6%. Em 2000, por exemplo, o segmento de supermercados
faturou 67,6 bilhões de reais. No entanto poderia ter maior ganho, não fosse a
perda de 1,82 bilhões de reais.
Com o objetivo de mapear as fontes de perdas e propor soluções a elas,
especialistas na área reuniram-se no “6° Seminário PROVAR de Prevenção de Perdas
no Varejo Brasileiro”, promovido pelo PROVAR-FIA, sob orientação de Cecília
Leote, coordenadora do Grupo de Prevenção de Perdas do programa. Segundo
Cecília, o encontro é um meio de propagar aos varejistas brasileiros o que há de
mais recente em pesquisas e ações voltadas a avaliar e identificar as perdas no
setor. Durante a exposição de cinco especialistas das mais diversas áreas, ficou
evidente que os focos de perdas podem se manifestar em qualquer nível
hierárquico ou setor de uma organização. Mas uma constante é a questão das ações
mal-intencionadas em relação às empresas. “Dados brasileiros e americanos
atribuem a maioria dos atos internos e externos à organização (que levam a
perdas) como resultantes de más intenções das pessoas”, explica Haim Dror,
especialista israelense em inteligência estratégica.
Para Dror, os impactos da má fé nas empresas, às vezes, são maiores do que os
desgastes causados pela concorrência de uma organização com boas estratégias de
competitividade. “É claro que estas pessoas são a minoria em uma empresa, mas em
determinadas situações são capazes de arruinar a instituição. Podem ser gerentes
ou até o mais simples funcionário. É difícil identificá-las e geralmente quando
se percebe é tarde demais”, esclarece.
O vice-presidente de auditoria interna para a América Latina da Philips, Ricardo
Turra, salienta que a maioria das fraudes poderia ser prevenida. “Freqüentemente
são ignorados os sinais de sua presença”. Segundo ele, as empresas que estão
mais expostas são as de padrões éticos indefinidos, as que não possuem
observância dos controles internos por parte da gerência, as que possuem
expectativas de fusões ou vendas, baixo nível de comprometimento dos
funcionários, estilo gerencial não envolvente e elevados níveis de rotatividade
de pessoal.
Táticas e estratégias devem ser implementadas para prevenir e atacar o ambiente
de hostilidade causado pelas más intenções. Prioritariamente, segundo o
especialista israelense, é necessário manter indicadores diários sobre o
orçamento da instituição. “Situações de empresas que fazem seu balanço de seis
em seis meses e às vezes de ano em ano acabam estimulando ações indesejadas”.
Para Dror, é necessário demonstrar que a empresa está prevenida contra as más
intenções.
Em caso de fraudes já identificadas, Dror propõe uma linha de atuação. O
primeiro passo é obter informações específicas sobre a fraude. “As informações
devem ser buscadas junto a funcionários, ex-funcionários, fornecedores e
clientes, por meio de entrevistas e disque denúncia”. É necessário ter um
“cérebro” na organização para analisar, integrar, estudar e dar prioridades aos
dados obtidos. “As informações devem ser usadas como ferramentas na prevenção de
perdas. Este processo é fundamental para saber como os fraudadores agem e onde
agem.” A partir daí, prioriza-se os problemas e desenvolve-se políticas de ação,
explica o especialista.
Dror adverte que, diante de uma situação de má fé a melhor medida não é a
agressividade, e além disso, o processo de apuração dos fatos deve ser realizado
com muita ética. Ações de conscientização e de esclarecimento dos funcionários
não devem ser pontuais, mas devem envolver todas as camadas da empresa. “O ideal
é criar um ambiente que iniba os possíveis atos ilícitos. Para isso, são
fundamentais a precaução no momento de recrutamento e a forte ação de políticas
de Recursos Humanos”.
Além do controle das fraudes, uma nova ferramenta contra as perdas foi abordada
por especialistas: a redução de custos trabalhistas. Segundo Sérgio de Macedo
Soares, especialista em Direito do Trabalho, donos de empresas acabam perdendo
recursos por não conhecerem a legislação trabalhista. Um caso exemplificado por
Soares, e que muitos desconhecem, é o da tercerização, que se caracteriza pela
contratação de pessoas jurídicas ou físicas de terceiros para a realização de
atividades meio, e não fim, da empresa. “Se a utilização de serviços for para
atividade fim, o contratado pode entrar com um recurso trabalhista e conseguir
vínculo empregatício, o que causará grandes perdas à empresa”.
Fonte: PROVAR (http://www.fia.com.br/admpauta/148/m4_perdas_varejo.htm)
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